28 de março de 2009

Into my wild


© VJ, Ago. 2008

Ontem vi o filme "Into the wild" de Sean Penn. É um trabalho belíssimo e ao mesmo tempo desconcertante, que nos interpela com o exigente desafio, por muitos nem sempre assumido, de procurar a verdade que existe em cada um de nós. Nesta história, baseada em acontecimentos verídicos, essa busca pelo ser e não pelo ter é-nos retratada na sua forma mais radical, quem sabe mais autêntica. Por aqui fica bem evidente que a verdade por vezes custa, dói, exige, rompe, afasta, renova, eleva-nos.
Na busca solitária pela sua verdade Christopher McCandless, a personagem principal deste filme, só teve uma pena, a de não ter partilhado a sua felicidade, para esta ser igualmente verdadeira.

Um filme imperdível.

22 de março de 2009

Comer com os olhos


© VJ, Mai. 2005

Devo admitir que ando com um apetite voraz, tudo o que vem à rede é peixe, ou melhor, quase tudo... É que não bastando o que criteriosamente me calha em sorte ainda vou cobiçar o prato da vizinhança. Deve ser da boa disposição primaveril, digo eu. E por falar em apetite, já confessei aqui a minha apetência por flor de abóbora, agora é a vez de me declarar fan de alcachofras. Além de as achar vistosas, o suficiente para as querer fotografar, são uma autêntica delícia, bem estufadas com sal e alho com um acompanhamento de arroz branco ou então a coadjuvar carne ou peixe assados. Vêem, não vos disse que estou um comilão?!
Sorry for this silly post, I took to much sun, I think ;-)

15 de março de 2009

Lapsus tecla


Peseu com cabeça de Medusa (Cellini, 1554)
Piazza della Signoria, Florença (It) © VJ, Set. 2008

Não foi sexta-feira 13 mas sim sábado 14! Passo a contar o meu grande, para não dizer gigantesco azar: recebi um mail de coisas de trabalho que me deixou furibundo, de tal ordem que decidi compartilhar o meu desagrado reenviando esse mesmo mail a alguém muito íntimo, onde também manifestava a minha indignação quanto ao conteúdo da missiva e opinava sobre o autor da mesma de forma muito pouco abonatória da sua pessoa. O problema é que má hora das más horas, em vez de clicar no "re(enviar)" para o destinatário do meu desabafo cliquei no "re(sponder)" ao autor do mail, donde o meu fel foi parar direitinho à pessoa visada. O sarrabulho tem sido de tal ordem que prometo que juro e juro que prometo olhar quinhentas vezes antes de expedir seja que missa for. O pior é que a pessoa em questão está agora a pedir a minha cabeça quando eu próprio já a cortei... de arrependimento. Estúpida da tecla!!

12 de março de 2009

A Esplanada


Florian, Piazza San Marco, Venezia (It) © VJ, Mai. 2005

O subsconciente é tremendo, prega-nos cada partida que só visto. Bastou o tempo dar um ar de Primavera plena para o meu pensamento resvalar rapidamente rumo a paisagens estivais, ou então mergulhar na recordação de momentos dolce fare niente, de puro deleite e degustação da vida. Desses momentos faz sempre parte uma esplanada, uma vista sobre o mar, uma paisagem de montanha, qualquer coisa. Pois então, aqui o senhor "subcons" pôs-me esta noite em Veneza (uma chatice, eu sei...) a beber champagne (um sacrifício...) e a dançar naquela que eu considero A Esplanada, a do mítico e inesquecível Florian, está claro!
Muito bem, já percebi a razão deste filme todo e de tantos espirros, é do pó(len) primaveril ;-)

2 de março de 2009

Percursos Ondulados




Rio de Mouros © VJ, Fev. 2009

28 de fevereiro de 2009

Keep the Faith



Eu diria que "we never lose the faith". Post que dedico ao nosso amigo Rafeiro Perfumado, bom vivan da noite lisboeta, grande fadista e o melhor tocador de toda a Alfama e Mouraria juntas. Que contes muitos e felizes, connosco a ajudar-te a apagar as velas!
Feliz aniversário!

18 de fevereiro de 2009

Anormalidades


Roma © VJ, Set. 2008

Certamente que este respeitável ser humano também deve ter as suas "anormalidades", a começar pelo seu famoso olhar de lobo mau calçado de Prada à espera do capuchinho vermelho. E eu até nem teria nada a ver com isso se ele não tivesse o descaramento de incentivar sentenças proféticas de muito mau gosto sobre como dormimos e com quem dormimos. É que não se trata apenas de uma questão de "sono"... mas sobretudo de sentimentos. Consola-me chegar à conclusão que a Igreja deve ter 30% do seu clero em estado "anormal", para grande angústia e preocupação do senhor dos sapatos vermelhos...
Menos mal que já vai longe o tempo da fogueira, caso contrário voltaríamos a ver nas nossas praças filas de homens e mulheres de velas acesas na mão a cantarem o Glória a caminho das labaredas.

E vem esta conversa toda a propósito das sandices do costume, desta vez ditas pelo nosso cardeal Saraiva Martins. A Igreja Católica Apostólica Romana irá longe assim, muito longe...

Haja paciência e algum dó da nossa inteligência zzzzz

14 de fevereiro de 2009

Valentine's day!


© VJ, Fev. 2009

Não é que no fim destes dias de "vigilância canina" o Mondego revelou-se um bicho adorável?
Ontem à noite apareceu-me no escritório nesta figura :-))
Em meu nome, do bom e fiel Mondego e do Valentine o nosso grande obrigado pelos mimos e pelos incentivos que foram deixando por aqui.
Tudo está bem quando acaba BEM!

7 de fevereiro de 2009

Chamo-lhe Mondego


© VJ, Jan. 2009

Costuma-se dizer que quem tem medo compra um cão. Não comprei, mas pelo sim pelo não pedi este emprestado para guardar aqui a porta do escritório durante a próxima semana. É que apesar de hoje ser sábado alguém foi ao calendário e rabiscou por cima: "segunda-feira". A princípio fiquei indignado depois ponderei e acrescentei um recado para mim mesmo: "tens seis dias para mostrares o que vales".

2 de fevereiro de 2009

Terra Autêntica


Serra do Caramulo © VJ, Jan. 2009

No cimo daquelas serranias a rudeza das pedras transforma-se em vida e numa paz imensa. Ali o Homem e a Natureza convivem, misturam-se, celebram-se. Apeteceu-me ficar naquele tempo sem horas, naqueles dias sem tempo onde o pouco é tudo. Ali o vento e os prados têm cheiro a verdade e os sabores da terra descobrem a pureza da alma de quem os oferece.

29 de janeiro de 2009

Flor de tu - Beijo do eu


"Praia da Felicidade" © VJ, Ago. 2008

A imensidão do mar, a suavidade da areia, a luz do sol, o calor da terra e a energia do vento...
Para ti um pedaço do que te faz feliz. Um pedaço de nós.
Muitos parabéns querida Va Lejos, que tenhas um dia lindo e cheio de flores.
Beijo terno do Eu!

28 de janeiro de 2009

Tons de Inverno


Lago de Sanábria (ES) © VJ, Dez. 2008

Em dias cinzentos e chuvosos com este, de causarem a maior neura ao mais optimista dos mortais, só me dá para sonhar com um bom sofá, um bom filme e uma boa "manta" ou então solicitar o serviço de teletransporte até um qualquer destino estival, na ansiosa procura de um Verão que ainda está longe de chegar. Detesto o Inverno, pronto!
Escrevo esta inspiradíssima prosa enquanto bebo uma chávena de chá e ganho balanço para mais alguns dias, de chuva ...

(Há quanto tempo não escrevia aqui. Já tinha saudades.)

13 de janeiro de 2009

Amarras Urbanas


© VJ, Jan. 2009

Para ver, pensar e sentir, com total liberdade.

7 de janeiro de 2009

Mar, identidade e identificação


Oceanário de Lisboa © VJ, Jan. 2009

Passaram quatro dias da minha visita inaugural ao Oceanário de Lisboa e chego à conclusão que fiquei por lá, hipnotizado por aquele mundo extraordinário e pela sensação de calma e de harmonia que me transmitiu, como sempre me transmite o mar. Em qualquer outra encarnação devo ter sido peixe num imenso oceano azul. Sinto-me bem naquele mundo...

De lá trouxe ainda a maresia das palavras de Sophia de Mello Breyner:

Quando eu morrer voltarei para buscar

Os instantes que não vivi junto do mar

Mar-Poesia, Inscrição, p. 40

31 de dezembro de 2008

2 0 0 9 - VAMOS A ELE!!!!

Praia do Almograve © VJ, Ago. 2008

Tudo indica que o ano que se avizinha vem marcado com os ferros da avareza e do mau feitio. Como a vida são dois dias e má onda não é para quem quer mas sim para quem pode, vamos lá receber e viver o tão enjeitado 2009 com uma forte determinação e vontade para fazermos dele o melhor que pudermos e soubermos. Deixo aqui os ingredientes da minha receita "home made".

..
SAÚDE
.
OPTIMISMO
.
C R I A T I V I D A D E
.
ALEGRIA
.
AMOR
..

Tudo de bom para vós, sejam felizes e dancem muito!!!

28 de dezembro de 2008

Natal... a 38-39º


© VJ, Ago. 2008

Ao contrário do que o título possa sugerir, a minha ausência durante estes dias não se deveu a nenhuma viagem ao Brasil ou a África, o que até não seria má ideia... Os trópicos é que vieram ter comigo no dia 22 e só me largaram ontem. Quero com isto dizer que a temperatura do meu Natal caseiro andou pelos 38-39º, animado com muita tosse, muita transpiração, muita dor de tudo e de nada, muito cansaço e ainda com a visita não do Pai Natal, mas de um senhor de bata branca que me pôs a tomar uma série de coisas mal saborosas e nada parecidas com as prometidas rabanadas, aletria, pudim de pão, bolo rei e broinhas doces. Como podem imaginar o espírito natalício se já não era grande coisa andou abaixo dos valores mínimos aconselhados pela União Europeia. Tudo isto à conta da Senhora D. Gripe que não me visitava há dezoito anos e resolveu instalar-se de mala e cuia aqui no palácio logo no início das festas. Como podem imaginar foi um Natal lindo com muita paz e muito amor, na companhia da dita senhora e dos meus fiéis amigos Manta, Termómetro e Rolo de Papel, os únicos que me davam consolo cada vez que olhava para a mesa recheada de tudo o que se come apenas uma vez no ano. Ainda tenho atravessada a suprema humilhação daquele pedaço de cabrito assado do almoço de Natal que acompanhei com chá... Foi o must da saison...

Ao fim de cinco dias e de muitos tabalhos consegui mandar a senhora empatar a vida para outra freguesia e deixar-me gastar com mais dignidade e proveito os últimos cartuchos de 2008.

Um grande obrigado a todos os amigos que passaram por aqui e deixaram o vosso abraço ou que foram sabendo da minha tortura natalícia e lá mandaram um ou outro testemunho solidário de rouquidão, febre ou catarro.
A todos um abraço e votos de BOAS FESTAS!

17 de dezembro de 2008

Ouro, incenso e mirra


Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, Coimbra © E. Carrero Santamaría, 2004

O mosteiro de Santa Clara-a-Velha de Coimbra abriu hoje ao público. Iniciaram-se em 1991 os trabalhos de recuperação daquele que ficará para a história como o maior estaleiro de arqueologia medieval europeu das últimas décadas. Tratou-se de uma obra morosa, muito dispendiosa e complexa do ponto de vista técnico e científico, que reuniu uma grande equipe de especialistas de diversas áreas. Após séculos submerso pelas águas do Mondego, o mosteiro encontra-se agora musealizado e oferece, entre outras valências, um belíssimo centro de interpretação que permite ao visitante viajar no tempo e compreender a funcionalidade e a monumentalidade daquele edifício iniciado nos finais do século XIII e construído na sua maior parte durante o século XIV, no reinado de D. Afonso IV. A título de curiosidade sublinho a descoberta do claustro gótico, um dos maiores da Europa do seu tempo, e o numeroso espólio encontrado nas escavações, que dará matéria para muitos trabalhos no futuro.

Santa Clara-a-Velha é um espaço único, com uma identidade muito própria e com uma história fascinante, que reflecte o bom que se faz entre nós em matéria de valorização e recuperação histórica e patrimonial. Além disso é um espaço que nos remete para a figura da sua fundadora, a Rainha D. Isabel de Aragão, e para os amores de Pedro e Inês.

Uma magnífica prenda de Natal. A não perder!

Nota: Como nem tudo são rosas, mesmo tratando-se de um edifício fundado pela miraculosa Rainha Santa, o site oficial ainda está, digamos..., "submerso". Temos pena porque estamos em 2008 e monumento sem site é um pouco pão sem sal. Mas como será a Quinta das Lágrimas a explorar a cafetaria, este será pormenor rapidamente resolvido.

13 de dezembro de 2008

O poder dos quatro elementos


El Puente, Sanábria (ES) © VJ, Dez. 2008

Como definir Sanábria? Diria que se trata de um lugar inquietante e misterioso, particularmente nesta época do ano, encantado por montanhas, bosques e lagos, onde a Natureza de confunde, se reinventa e se harmoniza num ritual místico quase perfeito. Em alguns momentos lembrei-me da Escócia, não faltando o grande lago para imaginarmos uma versão ibérica do Loch Ness... Gostaria de voltar, de preferência no início do Outono, há muito para ver e para caminhar por ali, e fica tão perto, a meia hora do Parque de Montezinho e de Bragança.
De todas as fotografias que tirei escolhi esta por conseguir sintetizar as cores daqueles tranquilos três dias sanabreses. O castanho das árvores, o cinzento escuro do xisto e do granito, o azul do céu, e o branco da neve, numa conjugação curiosa dos quatro elementos: terra, ar, água e fogo. Este último, espelhado na inegável sacralização deste espaço.
Em Sanábria eu diria que se sente e se vive, antes demais, a força da Terra!

11 de dezembro de 2008

Aniki-Bobó



Digam o que disserem da sua estética cinematográfica, e eu sou o primeiro a dizer que não me agrada, 100 anos feitos a trabalhar é obra e digno de todas as nossas homenagens.
O primeiro filme de Manuel de Oliveira é o meu preferido, talvez o único que vejo com muito gosto, como vi vezes sem conta quando a RTP nos brindava com estes clássicos nas tardes de domingo. Sei os diálogos quase todos de cor... É o retrato de uma época e de um país visto pelos olhos do Carlitos e dos seus amigos, que eram os de tantos outros "pardalitos" que povoavam as ribeiras das nossas cidades, vilas e aldeias.
Parabéns Manuel de Oliveira! Obrigado por este mítico ANIKI-BOBÓ, tantas vezes repetido em jogos de polícias e ladrões...

9 de dezembro de 2008

Fogo Grego


© VJ, Dez. 2008

No regresso de fim de semana deparei-me com as notícias dos graves acontecimentos que têm deixado a Grécia e todos nós em sobressalto. A situação é muito complicada, existem manifestações e confrontos violentos em várias cidades gregas, principalmente em Salónica e Atenas. Algumas ruas e praças da capital têm sido completamente varridas por uma onda de destruição sem precedentes. Muitas lojas, bancos e alguns dos seus hotéis foram palco de chamas, até a árvore de Natal colocada há poucos dias na Syntagma foi queimada. Porquê? Para quê? A indignação pela morte de um rapaz de 15 anos pelo tiro de um polícia foi o rastilho que desencadeou todo este tumulto. Será esta a forma mais correcta de a expressar? Estou certo que não. A razões para esta guerra urbana são mais profundas e complexas, prendem-se com a actual conjuntura de recessão e com o descontentamento de toda uma geração de jovens que têm tudo e não têm nada, e que se refugiam na anarquia e na violência. Precisamos de regressar ao debate de ideias, concordo e marcho por isso também! Mas qual é o ideal de tudo isto? Há alguma coisa que verdadeiramente justifique este procedimento? O Maio de 68 começou assim, nas ruas, em barricadas, mas havia um quadro ideológico em discussão, aqui há o quê?
Queimar por queimar renega o mito de Prometeu que ensinou os homens a usar o fogo. O meu fogo é de paz e de preocupação com aquele país (que deveria ser um exemplo de cultura e de cidadania) e com os amigos lusos que lá vivem. Por ele e para eles aqui fica o desejo que esta imitação muito mal conseguida do mítico fogo grego devolva a paz e o azul à Grécia.